quinta-feira, junho 11, 2009

EaD: avanço ou subserviência mercadológica?

Bem, a pedido de um leitor do blog, o caro Emanuel, aluno de Letras da Fafica (Caruaru), entro na discussão que, surpreende-me, ao mesmo tempo que me desperta. A foto ao lado é de : Yuri Gonzaga / Folha IMagem e está no blog dos alunos da Faculdade Metodista, informando como os alunos protestam contra a inovação da Ead (Educação a Distância).
Esta disponível no site indicado a seguir:(http://www.alunosmeto.com/blog/2009/05/26/de-corpo-presente/), Da Agência Estados temos a informação que "Cerca de 400 estudantes da Universidade de São Paulo (USP) bloquearam o portão 1 da Cidade Universitária por volta das 16 horas, num protesto contra o curso de graduação a distância recém-criado pela universidade. Depois eles fecharam o cruzamento das Ruas Alvarenga, uma das principais vias do Butantã, e Afrânio" Peixoto." (http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2009/06/04/estudantes+da+usp+protestam+contra+ensino+a+distancia+6547904.htmlstudantes+da+usp+protestam+contra+ensino+a+distancia+6547904.html) Foi um quebra-pau como se diz: policiais foram chamados e enfrentarm alunos, houve quebra-quebra, bombas de dispersão e aquela coisa toda que parecia movimento estudantil da década de 60...

A discussão é mais séria do que se pode imaginar...sou defensor das NTIC (Novas Tecnologias de Informação e Comunicação), razão porque tenho esse blog e porque faço doutorado discutindo questões pertinentes ao mundo virtual, mas devemos, de fato, saber criticamente utilizarmos as tecnologias a fim de que não sejamos utilizados por interesses mercadológicos globalizados do neoliberalismo no que diz respeito ao campo educacional, ou seja, o uso criterioso das NTIC na Educação, a fim de que não substituamos os professores, as aulas presenciais simplesmente por aulas virtuais e tutores online.
Sou defensor da tecnologia em educação mas também não posso pactuar que a tecnologia subtraia completamente o ensino presencial...falo isso, porque tudo parece convergir para um futuro (futuro??) em que logo, logo, apenas teremos aulas virtuais, os cursos serão acelerados, seremos certificados por competências (e quem nos certificarão serão robôs altamente inteligentes), os professores serão substituídos por tutores online (um professor para atender a distância...que logo será substituído por um computador utilizando IA, um bot bastante sofisticado para tirar qualquer dúvida do internauta-aluno).
A questão é a seguinte(Resumo de reportagem de O Estado de São Paulo:
Será implantado na USP o primeiro curso de licenciatura à distância da universidade. Aprovado em fevereiro pelo Conselho Universitário, o curso faz parte do programa Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp), criado pelo governo para a expansão de vagas no ensino superior paulista.Serão oferecidas 360 vagas em licenciatura em ciências por ano, e professores da rede pública da educação básica, público alvo do curso, receberão bônus na nota final. O início das aulas está previsto para o dia 21 de setembro, em quatro polos: Piracicaba, Ribeirão Preto e São Carlos.
De acordo com a diretora do Diretório Central de Estudantes (DCE) da USP, Arielli Tavares Martinelli, o projeto está mal estruturado, pois não prioriza o ensino de qualidade. “Será essencialmente para formar professores, e que tipo de mestres serão formados se eles próprios não serão ensinados a valorizar a experiência em sala de aula?”, questiona.
Professor na Faculdade de Educação da USP, César Augusto Minto explica que não é contrário ao ensino a distancia, mas à forma como querem implantar o curso. “Pretendem usá-lo prioritariamente para a formação de professores, sem ter discutido a ideia com a comunidade universitária e sabendo que não temos conhecimento suficiente sobre o tema para utilizá-lo na formação.”
Gilberto Dimenstein, 52, é membro do Conselho Editorial da Folha e criador da ONG Cidade Escola Aprendiz. Coordena o site de jornalismo comunitário da Folha.




Escreve:
"Uma das razões da paralisação é a oferta de vagas de cursos a distância, acusados de baixa qualidade. É uma maluquice elitista e retrógrada.
Com os avanços dos meios de comunicação, natural que se expandam os recursos não presenciais para oferecer ensino. Há evidências, em várias partes do mundo, de que os cursos a distância, se bem preparados, combinados com tutoria virtual e encontros presenciais, produz bons resultados. Aliás, alunos desse tipo de curso, no Brasil, têm demonstrado, nas avaliações, até melhor desempenho em relação aos alunos do sistema regular."
O post ficará longo se me aprofundar nos debates, pró ou contra, trazendo depoimentos, por isso ficarei atento, sim, ao uso das tecnologias no âmbito educacional, sei que sou apaixonado por ela, mas também bastante atento, receoso de seu uso indiscriminado...
Que não podemos desconsiderar a tecnologia no campo educacional é uma atitude coerente, seria um retrocesso negar seu uso nas salas de aulas, laboratórios e até nas formatações de cursos online (EaD), este último a razão do protesto estudantil dos alunos da USP. Que continuem a existir novos cursos online, que se amplie cada vez mais a EaD, que tenhamos cursos online quanto possível, ampliando a inclusão de pessoas no meio acadêmico, MAS NUNCA, JAMAIS UTILIZEMOS TODA ESSA TECNOLOGIA SIMPLESMENTE PARA AUMENTAR ESTATÍSTICAS EDUCACIONAIS, AMPLIAR ÍNDICES DE PESSOAS CERTIFICADAS EM CURSOS SUPERIORES OU DE OUTRA MODALIDADE, CRESCER EM TAXAS DE CRESCIMENTO EM FORMAÇÃO ACADÊMICA, PERDENDO A QUALIDADE DO ENSINO, DESFOCANDO A ESSÊNCIA DE UMA PREPARAÇÃO ADEQUADA DE PROFISSIONAIS PARA O ATENDIMENTO ÀS NECESSIDADES REAIS E MAIS AMPLAS DA SOCIEDADE, E NÃO PARA SATISFAZER INTERESSES ECONÔMICOS LOCAIS OU GLOBAIS.
É que entendo bem o outro lado da moeda...quanto mais cursos online, mais alunos cursando, mais dinheiro em caixa para as universidades privadas, mais pessoas concluindo os cursos em tempo breve, sem aulas presenciais com os rigores que são necessários nessa modalidade de ensino (talvez seja esse um dos aspectos da "falta de qualidade" que alguns tem reclamado), então aumentam-se os dados nacionais de elevação escolar e mais alunos optarão evidentemente por este tipo de ensino ao presencial...numa larga escala, daqui há uns vinte anos, teremos mais cursos online que presencial!
Que existam os cursos e avance a EaD (sou defensor dela, sem dúvida!), mas jamais abandonemos as aulas presenciais ou as substituamos totalmente...porque isso será mais uma vez, repito, o caminho da Matrix!

Um comentário:

JNLSIQUEIRA disse...

EU ACHEI MUITO INTERESSANTE ESSA MATÉRIA A RESPEITO DA EaD.