quarta-feira, setembro 09, 2009

FILMES SOBRE ANDRÓIDES, CIBORGUES E SENTIMENTOS

Antes de falar de alguns filmes é importante dizer algo sobre os conceitos:
Andróides: Robôs com características humanas, programados detalhadamente para imitar manias e reproduzir os traços de uma pessoa.

Ciborgue: abreviatura para “cybernetic organism”. Esta designação significa uma reconstrução informática, genética e/ou biotécnica do Homem, que implica a sua adaptação a novos meios ambientes.

Um ciborgue é um organismo cibernético, um híbrido de máquina e organismo, uma criatura de realidade social e também uma criatura de ficção, afirma Haraway

Conceitos muitos semelhantes, portanto. Prefiro dizer que os andróides são robôs semelhantes aos humanos e os ciborgues são mais caracterizados como máquinas, como robôs propriamente dito...qualquer que se ja o seu uso, remete-nos à máquinas 'inteligentes' ou que utilizam inteligência artificial.

Existem alguns filmes que tratam da relação dos andróides com os humanos destacando uma relação afetiva, romântica indicando uma interação muito mais próxima do que imaginamos...são os casos em que os humanos 'se casam', se relacionam com essas máquinas à sua semelhança. Indicamos três bons filmes:

O filme é BLADE RUNNER, década de 80: Deckard (Harrison Forde) é o detetive, um 'blade runner', exterminador de andróides, os replicantes da geração Nexus 6...um deles represando por Rachael, por quem Deckard se apaixona e termina o filme com ambos fugindo, indo para nosso imaginário de homem x mulher-andróide...Eles se beijam no filme e ela pergunta em algum momento:"você me ama?"

O segundo filme é HOMEM BICENTENÁRIO: inspirado na obra do escritor ficcionista Isac Asimov surge o andróide Andrew, interpretado por Robin Wiliams que vai 'humanizando-se' ao longo do tempo, vivendo por 200 anos, tendo um cérebro implatado ao seu 'corpo' além de outros órgãos que o tornam tão próximo dos humanos...então se apaixona e casa com uma mulher que era neta da “menininha”/"Filhinha", sua mais querida dona(filha caçula do seu dono). Andrew sobrevive há três gerações de uma família. Também fica no imaginário a convivência conjugal dele com uma mulher...

Por último indicamos: Mulheres Perfeitas com Nikole Kidman (Joana), entre outros excelentes atores e atrizes que vivem na pacata e confortável comunidade Stepford onde as mulheres são trasformadas em robôs pelos seus maridos...A líder das donas-de-casa servis é Claire Wellington (Glenn Close), que, ao lado de seu marido controlador, Mike (Christopher Walken), praticamente manda em todos em Stepford...! Claire , que não tinha um chip implantado no cérebro, no final do filme beija a cabeça do marido-robô Mike e é eletrocutada!!! (Bom...o filme é cheio de errinhos...mas não importa aqui).Compreende-se que Mike era um robô: repete-se o quadro, uma mulher mantendo relacionamento conjugal com um andróide!
Afinal, merece destacar nos três filmes, as possíveis relações mais íntimas entre os personagens humanos e não-humanos: até que ponto nós estamos substituindo seres humanos por máquinas em nossas relações? Quais os limites dessa interação dos humanos com a tecnologia nos aspectos afetivo-emocional? A busca pelas lan-houses, pelas horas de conexão na Internet, pelo vício nos jogos eletrônicos são sintomas dessa síndrome tecnológica que, a meu ver, nos remetem à metáfora da 'matrix'.
Referência:
HARAWAY, Donna J. Manifesto Ciborgue: ciência, tecnologia e feminismo-socialista no final do século XX. In: SILVA, Tomaz Tadeu da (org.). Antropologia do Ciborque. As Vertigens do Pós-humano. Belo Horizonte: Autêntica, 2000.

8 comentários:

Karla Amorim disse...

Muito importante essa questão de tecnologia x pessoa humana. A comunicação cada vez mais rápida, os "amigos do bate-papo", as pessoas que "conhecemos" via msn, sites de relacionamento, etc. Na verdade toda essa tecnologia tem roubado tempo de crianças e adolescentes e porque não dizer dos adultos mais desavisados, que tem aprendido a interagir e desenvolver seus sentimentos virtualmente. Os filmes citados mostram o quanto essa relação com a máquina tem se tornado cada vez mais próxima. Mas, onde estão as pessoas de verdade? Que sentem, pensam, interagem, que você pode olhar no olho e saber de verdade o que está sentindo. É preciso parar e refletir, hoje com tanta velocidade na comunicação, com máquinas que falam, ouvem, respondem de alguma forma, tanta facilidade de nos conectarmos aos sites de relacionamentos, onde podemos escolher grupos, pessoas, enfim, e as estatísticas mostram números cada vez maiores de pessoas solitárias no mundo. Deixo claro que de forma alguma sou contra o avanço da tecnologia, mas observo o quanto ela pode ser nociva em alguns aspectos.

Aluna 1º Periodo/ADM/FAFICA

Prof. Robson Santos disse...

Muito bem, Karla...também concordo contigo quanto a alguns aspectos nocivos, se não tivermos cuidado

LaRaNJa NaDa MeCâNiCa disse...

Aee Professor, gostei da idéia de falar sobre Tecnologia X Humanos, muito boa! Seria ótimo algo desses também no cine ruína :D. Boa semana!
www.blogspot.com/cineruina

Ass: Cleidson Cavalcanti.
Aluno 8° período Eng.Civil/UFPE-Caruaru

karoline disse...

Professor parabéns pela a abordagem de falar sobre tecnologia x pessoa humana. Nos dias atuais o que podemos observar é que não há uma idade certa para esta envolvido com toda essa tecnologia que vem surpreendendo a todos. Assim como esses filmes,existem também no dia a dia uma forte relação entre máquinas,onde pessoas esquecem do tempo navegando em salas de bate-papo,msn,nos jogos eletrônicos, muito bem citados em sua postagem. Onde esses recursos utilizados de maneira errada,podemos dizer também exageradamente podem causar alguns problemas a seus usúarios,a falta de relacionamento com pessoas humanas dia a dia esta caindo e estamos substituindo por máquinas,onde passamos horas dando a atenção muitas vezes a desconhecidos em salas de bate-papo mais que em troca estamos ganhando a atenção procurada nas pessoas reais,onde muitas vezes os relacionamentos se tornam tão serío que pessoas se casam pela intenet.Por fim é muito bacana o avanço da tecnologia,mais todos devem estar ciente desses aspctos,saber dos limites que devem ter e até que ponto podemos nos envolver sem envolver demais nossos sentimentos.

1º Período Administração (FAFICA)

Emanuelle disse...

Gostei muito dos filmes professor. Concordo plenamente com você, acho que é hora realmente de pensar o lugar que estamos dando para as máquinas em nossa vida. Muitas vezes passamos mais tempo em frente ao computador do que com nossa família ou amigos.

2° Período Pedagogia/UFPE (Caruaru)

Anônimo disse...

Aqui quem escreve é Erik, aluno do 4º período de Filosofia da FAFICA. No filme HOMEM BICENTENÁRIO, vemos uma relação entre uma mulher e uma máquina. Acho que está será a nova forma de relacionamento humano. Cada dia que passa nós nos distanciamos cada vez mais das pessoas e passamos muitas vezes a viver só ou a buscar formas inanimadas e artificiais para ocupar o vazio que sentimos. Este sentimento de solidão pode ser provocado por outros motivos ou simplesmente ser uma opção da pessoa que quer viver em um individualismo. Isso é uma "brecha" para as novas tecnologias que a cada dia se aperfeiçoa e coloca no mercado formas mais práticas de serviços como é o caso de rôbos construídos para realizar tarefas domésticas substituindo assim a tradicional empregado doméstica que custa muito mais caro que um rôbo, que reclama, chega atrasada, etc. Também no filme vemos a vontade da máquina em se tornar humano, mas que na realidade é o humano que quer se tornar máquina pois estas são perfeitas e durão mais e esse é o nosso intrínseco desejo.

Prof. Robson Santos disse...

Realmente, Erick...quanto aos homens quererem ser máquinas, concordo mesmo...quanto as máquinas quererem ser humanos...só o tempo vai dizer não é...mas aquele brinquedinho, lembra do TANIGUSHI...sei lá se era esse o nome daquele bichinho virtual que as crianças adoravam, 'davam comida, água'...eles engordavam e até 'morriam'...acho que é um ensaio para o que as máquinas mais sofisticadas com Inteligência Artificial-IA tentarão no futuro...serem iguais a nós...

Dayse disse...

Olá Robson, gostei de saber que vc vai falar no congresso sobre Tecnologia X pessoa humana.
Boa apresentação!